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Jornalismo participativo

Aula de Rodrigo Martins, sobre jornalismo participativo, no dia 14 de setembro. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco e mestrando do Póscom, orientando de Marcos Palacios.

Quando falamos em jornalismo participativo o nomeamos de diversas formas:  jornalismo cidadão, amador, fonte aberta, colaborativo, open source. No entanto, esses diferentes nomes implicam em diferentes conceituações do objeto. Para André Hollanda (2007, p.51) o jornalismo fonte aberta é aquele que depende da participação do público tanto na produção do conteúdo, quanto para a sua validação e correção. Este conceito está intimamente ligado às questões de acesso técnico e criação de softwares livres.O jornalismo colaborativo, por sua vez, está mais relacionado à construção da informação por diversos autores. O jornalismo cidadão implica num redimensionamento da comunicação de massa, conferindo condição participativa dos cidadãos interativos.

A definição de Primo e Träsel (2006, p.51) para jornalismo participativo é a de “práticas desenvolvidas na web onde a fronteira entre produção e leitura de notícias não pode ser claramente demarcada ou não existe”.

O interesse de se pesquisar Internet dentro da cibercultura esteve associado ao desenvolvimento da ideia de liberação do pólo emissor (do it yourself), ao crescimento das redes p2p, à web 2.0 e às redes sociais. Afinal, além de consumir a informação, as pessoas querem também produzir e compartilhar. Rodrigo Martins – ancorado também no texto de Leonardo Foletto, “Blogosfera x Campo Jornalístico: Aproximações e Consequências” recomendado para leitura – fala sobre a centralidade da ideia de ampliação e, até mesmo, liberação do pólo de emissão.  Como exemplo, ele cita a plataforma Blogger, que permitiu aos usuários publicar diversos conteúdos mesmo desconhecendo a linguagem HTML.

Alguns marcos do jornalismo participativo

Neste sentido, o 11 de Setembro de 2001 também pode ser considerado um marco no jornalismo participativo. Ainda que o jornalismo funcione como o lugar de referência de sentido do mundo e dos fatos, também cresce uma busca por outras informações e fontes que antes não eram procuradas. O crowdfunding, uma iniciativa de financiamento colaborativa e que está sendo utilizada bastante nos em coberturas recentes, é ilustrativo de como qualquer blogueiro que receba ajuda financeira na rede pode viajar para a guerra e postar as informações pedidas pelo público que o ajudou. O crowdfunding no jornalismo é um exemplo de produção noticiosa paga pelo público.

Os dispositivos móveis também se configuraram como imprescindíveis para conferir o valor de instantaneidade de acontecimentos como os atentados em Madrid (2004) e em Londres (2005) e para a valorização da participação no registro desses acontecimentos. Prova disso, foi como os iranianos utilizaram a hashtag #iranelection para denunciar e dar atualizações acerca do cenário político do Irã em junho de 2009. O Twitter foi utilizado, neste episódio, como fonte, muitas vezes, sem créditos, afinal essa era a única informação que se tinha sobre o acontecimento.

Debate

Este cenário gerou a seguinte discussão entre a turma: O que uma pessoa informa em um blog ou no Twitter tem um tratamento noticioso? Essa discussão está presente no texto de António Fidalgo “Especificidade Epistemológica do Jornalismo: Desfazendo uma ilusão do jornalismo cidadão”,  publicado em 2009. Para ele, as informações relevantes se tornam notícia quando um meio de comunicação de natureza jornalística pega nelas e lhes dá o cunho noticioso. Outra discussão que tivemos foi sobre se os blogs atuavam mais como fontes ou se como jornalistas e de como os jornalistas dos meios tradicionais utilizavam as informações contidas em blogs. A conclusão que a turma chegou foi a de que o aumento do número de blogueiros e de leitores de blogs permitiu uma maior vigilância da mídia tradicional.

Participação

A participação no jornalismo participativo se dá de diversas formas: e-mails, comentários, seções como cidadão repórter, blogs, redes sociais. Todas essas ferramentas encontram-se incorporadas de algum modo aos ciberemeios. Há, por exemplo, na maioria dos jornais online, um e-mail para contato com a redação ou com o repórter. É importante perceber que essa abertura dos meios às sugestões, opiniões e críticas dos leitores é muito recente e vai de encontro a um certo corporativismo da área. Nesse sentido, discutimos também um outro aspecto, citado por Foletto em seu texto, que é o alargamento do campo jornalístico e dos valores-notícia. Hoje, vemos muitas pessoas sugerindo notícias e coberturas que tenham a ver com a sua realidade, daí a centralidade de se pensar (e fazer) um  jornalismo hiperlocal em um meio global.

Além dessas transformações na participação, Rodrigo citou alguns exemplos de formatos e gêneros jornalísticos na web. Os newsgames propõem, por exemplo, uma livre movimentação dentro de um estrutura mais rígida; não se trata necessariamente de um jogo com notícias, mas jogos com relação às informações jornalísticas.

 Segundo Rodrigo Martins, diante de alguns sub-aproveitamentos das ferramentas de participação, vemos que muitos cibermeios ainda incentivam a participação somente pela fidelização e pela venda de conteúdos pagos, e não pela colaboração na construção deste e de outros conteúdos.

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Sobre impressaodigital126

produto laboratorial da Oficina de Jjornalismo Digital da Facom/UFBA

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