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Resenha sobre o Dossiê “Jornalismo Pós-Industrial” (Universidade Columbia) Parte I – Os Jornalistas

Por: Fernanda Sobral, Gabriela Milton, Joana Oliveira, Karen dos Santos, Thuanne Silva e Wesley Miranda

Ao tratar sobre a transformação no papel do jornalista nos “novos tempos”, os autores C.W. Aderson, Emily Bell e Clay Shirky trazem diversos exemplos de jornalismo especializado sendo feito por não-jornalistas – como o SCOTUSblog, blog especializado na cobertura da Suprema Corte Norte-Americna, o Naked Capitalism e o NY Velocity, blog especializado em ciclismo que cobriu o “caso Armstrong” melhor que a imprensa esportiva tradicional – afirmando que o jornalismo pode e tende a ser cada vez mais exercido fora de uma redação tradicional e por gente livre das pressões comerciais e protocolares.

O dossiê mostra que o “antigo território do jornalistas está sendo invadido”, mas ressalta que isso não implica no desaparecimento dos deveres essenciais da tarefa jornalística e levanta duas questões: o que os novos atores podem fazer melhor que jornalistas no velho modelo? E que papel o jornalista pode exercer melhor do que ninguém?

Um dos fatores de grande influência no aparecimento desse novo ecossistema jornalístico é a expansão das mídias sociais e a capacidade que cidadãos conectados – jornalistas ou não – têm de testemunhar e, quase que instantaneamente, publicar informações sobre um acontecimento em primeira mão. Ou, como no caso do WikiLeaks, vazar informações litigiosas e relevantes para a população em apenas um click. Para os pesquisadores do Tow Center for Digital Journalism da Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia, é a partir desse cenário que o “novo jornalista” deve trabalhar, coletando informações e dando ênfase na verificação e interpretação das informações, sejam em textos, áudios, fotos ou outros formatos, que são produzidas pelo público.

Outro grande fator de mudança é o avanço das máquinas e dos sistemas de dados. Como diz é dito no dossiê, “se há algo que a máquina faz melhor do que o homem é garimpar com rapidez grandes volumes de dados”. A ideia de sites como Narrative Science, por exemplo, é automatizar a produção de textos padronizados, como resultados financeiros e resultados de competições esportivas. Dessa forma, ao invés de perder tempo produzindo textos básicos, o jornalista fica livre para exercer tarefas mais complexas ou que exijam interpretação.

O jornalismo está passando por este momento complicado, de decadência do modelo antigo e transição lenta para o novo modelo, porque a maioria dos jornalistas ainda não sabe tirar proveito de todas as possibilidades que esse novo ecossistema de produção de informações traz. Existem novas fontes de dados digitais e novas estratégias de coleta de informações que podem, e devem, ser utilizadas em prol de melhores coberturas, apurações mais precisas e produtos de qualidade, feitos com rapidez.

O papel dos jornalistas

Para os pesquisadores, o desenvolvimento do jornalismo é comparável à ascensão da máquina a vapor, que possibilitou a especialização do artesanato, encerrando a produção humana no trabalho braçal da indústria têxtil. O mesmo aconteceu com o jornalismo após a ascensão da imprensa. Seu papel como mero produtor braçal foi superado pelo uso do intelecto. A industrialização da distribuição de material impresso recolocou o jornalista como canalizador de conteúdo, aquele que constrói a notícia e é capaz de investigar e interpretar como nenhum equipamento é capaz de fazer.

E em que situações o valor humano do profissional se sobrepõe? De acordo com o dossiê, em quatro aspectos: o primeiro deles consiste na prestação de contas à sociedade. Para Anderson, Bell e Shirky “se o jornalismo tem um impacto, e se parte de sua função é obrigar outras instituições a prestar contas de seus atos, o próprio jornalismo deve ser capaz de justificar os seus”. Por premissas como essa é possível questionar o limite da liberdade de expressão do jornalismo e o caráter ético do uso de câmeras ocultas e grampos eletrônicos ao ferir o direito à privacidade de cidadãos em nome da notícia. O segundo aspecto está associado à eficiência do jornalista em relação à máquina, não em rapidez, mas na capacidade de apuração e disseminação de informações. Para o teórico da Comunicação e professor da Universidade de Columbia, James Carey, tais fatores dão dramaticidade necessária a qualquer notícia.

O dossiê destaca ainda a originalidade do jornalista ao formar movimentos e inovar em práticas, ações em que o “humano” supera qualquer elemento, por ser capaz de usar sua bagagem cultural para promover mudanças sociais. O último aspecto é referente ao carisma do jornalista. Com a frase “gente segue gente”, os autores reafirmam o papel humano do profissional ao utilizar seu carisma para conquistar o público no ecossistema da informação. Na interface do jornalismo digital não há mais espaço para a antiga fórmula: apuração, redação e edição. A adaptação a uma nova realidade é o principal desafio do jornalista que precisa reconhecer e narrar fatos, no formato cabível, a uma audiência mais diversificada e exigente.

O que um jornalista precisa saber?

Após uma proposta de emprego, o programador Chris Amico, juntamente com a sua esposa, a jornalista Laura deixou a California e se mudou para a capital Washington DC. Sem perspectivas de emprego na capital, Laura, com a ajuda do marido, resolveu montar um site que catalogava todos os homicídios que aconteciam na cidade e ajudava os familiares a encontrarem as vítimas, o Homicide Watch DC.

O site não apenas catalogava esses homicídios como também fazia a cobertura de forma detalhada, informando o “objeto”, o local do crime, a idade e a raça dos envolvidos, podendo, assim, realizar um retrato muito detalhado do homicídio. Ao ser perguntado de onde veio a ideia de criar esse site, Chris responde que o único intuito do casal era fazer deliberadamente o que não era feito ainda. Com isso, o site já conseguiu dar furos sobre assassinatos antes mesmo de os jornais noticiarem as mortes.

Para que o sucesso do site tivesse se consolidado, foi necessária toda uma bagagem técnica que Chris possuía como programador e Laura como jornalista policial, estas são chamadas de “hard skills”. Além disso, foi necessário o domínio das habilidades menos tangíveis e mais sensoriais, as chamadas “soft skills”.

Soft Skills

Mentalidade

O que os autores sugerem primeiramente é uma mudança de mentalidade que ocasionaria uma mudança no campo jornalístico e na própria instituição. Eles afirmam ainda que, quando essa mudança é feita, o profissional se torna menos dependente da própria instituição.

No caso supracitado, Laura poderia ter procurado um emprego em algum veículo de comunicação mas, ao invés disso, resolveu fazer algo que ninguém estava fazendo no momento. Segundo o chefe de redação do braço interativo da Associated Press, Shazna Nessa, esse espírito de mudança está mais localizado nos jovens jornalistas.

O autor cita alguns jornalistas com esse tipo de mentalidade que já estão inseridos em diversos veículos de comunicação: John Paton, da Digital First Media; Leela Kretser, da DNAinfo; Lissa Harris, da Watershed Post; Burt Herman, da Storify; e Pete Cashmore, da Mashable;

Redes

A segunda soft skill que eles citam são as redes. Todo jornalista tem ou terá uma rede: de fontes, de contatos, de gente com uma bagagem profissional parecida, de uma comunidade que o segue e o ajuda. Segundo o autor, a depender da qualidade, a apuração das pautas fica total ou parcialmente delegada à rede.

Para que uma rede de qualidade seja eficaz, ele elenca alguns pontos que são necessários serem levados em conta: tato, imposição de limites bem concretos, tempo, reflexão, processo e critério.

A rede também pode estar ligada aos leitores que você conquista durante a sua carreira jornalística, seja pela forma de escrever ou pelos assuntos que você escreve. Se formos exemplificar com um jornalista local, podemos falar de Malu Fontes, que antes era colunista para o jornal A Tarde e depois se mudou para o jornal Correio*. A mudança não ocasionou uma diminuição da quantidade de leitores das suas colunas porque ela soube manter a rede atualizada e o seu mailing pessoal também.

Persona

A última soft skill ao qual os autores se referem é a persona que, segundo eles, compreende desde a habilidade narrativa, até a credibilidade e a presença do jornalista. A responsabilização também é encarada como uma característica da persona do profissional, por isso é muito importante ter critério sobre o que é publicado porque hoje em dia as notícias são muito compartilhadas, discutidas e disseminadas, tudo isso de forma instantânea.

É comum essa soft skill se confundir com valores, porque está muito relacionada com a integridade da persona pública que, uma vez manchada, é difícil ser recuperada. As principais maneiras de manchar essa persona é por meio de plágios, desonestidades e intenções ocultas, mas erros factuais, materiais requentados e falta de civilidade podem abalar uma reputação de forma rápida e irreparável.

Hard skills

Os jornalistas, além das soft skills, precisam ser dotados de hard skills, que são caracterizadas como a bagagem concreta.  Atualmente, o profissional deve ter conhecimento especializado e profundo em determinada área, além do ofício jornalístico em si. Não há espaço para o “típico generalista” devido à maior disponibilidade de informações provenientes de especialistas. Segundo o dossiê, a cobertura jornalística especializada tende a vir de profissionais para os quais o jornalismo é apenas uma atividade a mais. Quando tratamos de especialização pode ser um conhecimento geográfico, linguístico ou em determinada área de estudo. O valor da especialização pode estar em técnicas ou habilidades de comunicação e apresentação. Os profissionais destacados (como jornalistas e fotógrafos, especialistas em áudio ou vídeo, editores de mídias sociais) criarão público para seu trabalho através da capacidade de identificar um mercado e de se comunicar com ele.

Além dessa característica, o dossiê aponta a necessidade de aprimoramento no traquejo para uso de dados. Isso significa que não basta saber como e onde encontrar os dados disponibilizados por indivíduos, empresas e governos, mas também retirar o que eles oferecem, saber como compor narrativas e tirar conclusões que façam sentido. A contextualização e correta interpretação das informações obtidas por base de dados é fundamental na apuração e produção de um material jornalístico diferenciado. Houve um crescimento do volume de dados disponíveis sobre importantes atores e a capacidade de esmiuçá-los é imprescindível para o jornalista. Veículos como o Zero Hora, que montou um banco de dados sobre as assembleias no país e o Estadão, que possui uma seção onde destaca com infográficos sobre o PIB do país, são exemplos de como os dados podem diferenciar o conteúdo produzido pelas empresas jornalísticas.

Compreender como o conteúdo jornalístico é recebido pelos leitores, saber o que é mais ou menos lido e por quem também é de suma importância para a profissão. O jornalista deve ter acesso às ferramentas de monitoramento do conteúdo publicado, porém, segundo a publicação, os veículos americanos de comunicação estudados não emprega essas ferramentas, como o Google Analytics, por exemplo. Saber como o público consome as informações é crucial para identificar se o que o jornalista escreve, fotografa ou filma, chega a quem deveria chegar. No contexto atual, as redes sociais aproximam os leitores da notícia através dos links compartilhados. Com a popularidade das redes sociais, essa forma de propagação se torna mais eficiente do que os agregadores de notícias.

Ainda sobre as hard skills, o dossiê aponta a necessidade de transposição das barreiras de linguagem impostas ao jornalismo. São elas as estatísticas e a capacidade de interpretar dados e a competência técnica. O profissional da notícia deve entender, pelo menos em nível elementar, o que é código, qual sua função e se comunicar com os profissionais que mexem com eles.  Entretanto, para isso, são necessários estudo e experiência, elementos que nem todo jornalista tem ou é obrigado a ter. Portanto, exigir que o jornalista saiba de programação é complicado diante das inúmeras outras características prioritárias que ele deve dotar.

Por fim, o documento reconhece que a base do ofício jornalístico continua sendo escrever, filmar, editar, gravar, entrevistar, diagramar e produzir. Esses atributos não foram citados anteriormente por serem elementares para a identificação e relato de boas histórias. O importante agora é entender como cada uma dessas competências está sendo afetada pela tecnologia e pelas mudanças de comportamento trazidas por ela. Por isso é necessário criar narrativas com novos recursos de agregação.

Gestão de Projetos

Os autores passam a tratar de um modelo supostamente mais eficaz de jornalismo, baseado na construção de um processo já existente, onde o jornalista deixa de dominar apenas os assuntos que anteriormente cobria, o que torna a ideia editorial não mais fundamental. Steve Buttry, chefe do programa de capacitação da Digital First Media, chama isso de capacidade de gestão de projetos: capacidade de “estar a par de todos os aspectos do processo e de saber juntar isso tudo para produzir algo que funcione”. A matéria agora é um fluxo de atividades, onde o jornalista deve dominar o planejamento da evolução da cobertura, imaginar qual será o resultado do que está sendo escrito, além de saber os objetivos ou pressupor o impacto de um conteúdo jornalístico.

Ganha destaque o tema central do dossiê: o alerta para o modo como os jornalistas deverão cultivar sua capacidade de colaboração para poder lidar com a considerável e crescente tarefa de narrar acontecimentos, assumindo também um comportamento multidisciplinar. Os autores enfatizam que toda essa mudança de comportamento só será possível de forma plena quando o jornalista obtiver liberdade para refletir sobre os processos criativo e técnico das notícias e aprimorá-los.

A síndrome do hamster e Flat Earth News

Por conta das mudanças trazidas pelas forças tecnológicas e econômicas, que geraram corte de recursos e redução no quadro de funcionários, nos Estados Unidos (ambiente base deste dossiê) já não existe um plano de carreira comum, um conjunto de ferramentas e modelos de produção ou uma categoria de trabalhadores estável e previsível. O dossiê chega a fazer comparação entre o processo jornalístico industrial e o processo de produção de uma montadora de carros, a General Motors, traduzindo a comparação para “atividade que exigia um maquinário industrial e produzia um produto estático” e deixar de lado o processo criativo e sensível deste jornalismo. O dossiê classifica o jornalismo pós-industrial como uma atividade “na qual a liberdade e os recursos individuais crescem e respondem a necessidades de usuários”.

Os autores acreditam que o jornalismo do futuro não seguirá o modelo de reciclar comunicados de imprensa e produzir mais com menos sem nenhuma mudança fundamental em processos (são consideradas inimigas do bom jornalismo, mas que acabam sendo utilizadas para suprir a relação urgência de conteúdo versus equipe reduzida). Esse processo é o que Dean Starkman chama de giro incessante da “roda do hamster” ou “correr atrás do público transitório com a rápida publicação de matérias chamativas”, teoria também desbravada no livro Flat Earth News.

O dossiê cita Andy Carvin, da emissora norte-americana de rádio NPR, como “melhor exemplo de jornalista que soube explorar oportunidades abertas pelas tecnologias fora dos processos da redação”. Durante a primavera árabe, Carvin tornou público os bastidores de todo o processo de criação e intervenção interna de uma matéria em tempo real no Twitter.

Os autores destacam que esse tipo de quebra nos velhos processos do jornalismo só é possível quando o jornalista adquire liberdade suficiente nas respectivas instituições para desenvolver seu trabalho. Muitos não conseguem e tentam fundar as suas próprias plataformas, como Burt Herman, que deixou a Associated Press para criar o Storify. O caminho contrário também é possível, como o caso de Ezra Klein, comentarista de economia e política que criou o primeiro blog aos 19 anos e levou sua plataforma (a Ezra Klein) primeiro para o American Prospect e, depois, para o Washington Post, e Nate Silver, que criou o blog de política FiveThirtyEight.com, incorporado ao New York Times em 2010.

O dossiê aponta que o jornalismo atual encontra-se em processo de evolução e não encara mais os blogs, Twitter ou coberturas online via rede sociais com o mesmo receio e incompreensão do passado. Para o autores, “Em cinco anos mais, receber dados em tempo real de vastas redes de sensores, criar conteúdo automatizado, adquirir ou criar tecnologias que reflitam valores jornalísticos, estabelecer parcerias com diversos especialistas e instituições e fazer experiências com agregadores, animadores e performers renomados poderá ser tão corriqueiro quanto licenciar um blog”.

Como vai mudar o trabalho do jornalista?

A primeira parte do dossiê é concluída com muitas suposições e apenas uma certeza nada animadora: as redações serão cada vez mais enxutas. Apesar disso, os autores acreditam que o processo produtivo dentro dela mudará pouco: o papel de um editor, por exemplo, mudaria menos do que o de um jornalista que trabalhe com dados. A previsão é de que esse profissional, o “repórter de dados”, atue em um ambiente de alta imersão, com informações e conversações cada vez mais contínuas e em tempo real. Espera-se que o risco de cansaço consequente de tão intensa atividade seja compensado por um resultado – e aqui surge a parte otimista e possivelmente utópica da conclusão do dossiê – : “A produção de jornalismo de qualidade, relevância e impacto elevados”.

O documento aponta também que a presença de informação em dados no cotidiano jornalístico não se restringirá ao processo de apuração. Além de programar algoritmos e processar os feeds de informação em tempo real (“definir a quem pertencem esses dados, determinar o que pode ser terceirizado para outras tecnologias comerciais e o que precisa ser mantido”), será responsabilidade do jornalista monitorar sua audiência, estudar e atender às suas tendências de consumo informativo.

As relações de colaboração serão igualmente intensificadas, envolvendo tanto tecnólogos para a criação de novos sistemas, quanto especialistas, acadêmicos, outros jornalistas e, é claro, o público. Esta última relação, em particular, marca mais uma na já extensa lista de obrigações do jornalista do futuro: participar de debates em fóruns públicos e em redes sociais, de forma a “agregar valor com usuários”, será considerado imprescindível valor profissional.

O último apontamento realizado no início do dossiê diz respeito ao papel dos editores. Como todo jornalista hoje pode publicar informação, independente de estar em uma redação, a utilidade dos editores foi diminuída. Para evitar o risco de serem os primeiros nas (cada vez mais frequentes) listas de demissão em massa, já que ocupam cargos de maiores salários, os autores dão o que pode ser interpretado como uma dica de sobrevivência profissional da classe: eles também devem produzir conteúdo já que esse é, hoje mais do que nunca, o principal elemento de competição no mercado jornalístico diferenciando uma publicação de qualidade do jornalismo raso “meia-boca”.

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Sobre impressaodigital126

produto laboratorial da Oficina de Jjornalismo Digital da Facom/UFBA

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