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Jornalismo_Digital

Resenha sobre o Dossiê “Jornalismo Pós-Industrial” (Universidade Columbia) – Introdução

Por Cláudia Guimarães, Fabiana da Guia, Laís Rocha, Marina Baruch, Val Benvindo e Victor Pinto

O dossiê “Jornalismo Pós-Industrial – Adaptação aos novos tempos“, produzido pelo Tow Center for Digital Journalism da Escola de Jornalismo da Universidade Columbia (2012, EUA), que foi traduzido no Brasil pela  Revista de Jornalismo ESPM, e reproduzido no Observatório da Imprensa, trata de questões relacionadas ao que os seus autores – C.W. Anderson, Emily Bell e Clay Shirky – classificam como jornalismo pós-industrial. Atualmente, já não existe mais a indústria jornalística tal como era e que se mantinha em pé por condições que também já não existem mais. Na última década, as pessoas passaram a ter mais liberdade para se comunicar e a imprensa não é a única que consegue tornar uma informação pública. Segundo o dossiê, essas mudanças causaram a queda na qualidade do jornalismo americano, e é preciso pensar em novas possibilidades e novas formas de organização para que a situação possa melhorar. No entanto, ainda é prevista uma piora no jornalismo antes que a qualidade volte a subir.

Para que o quadro atual melhore, são sugeridas saídas como produção de um jornalismo de utilidade pública, com a utilização de técnicas e ferramentas inovadoras. É preciso “adaptação” ao mundo em que o público não é mais apenas leitor nem telespectador, é também capaz de interagir. No entanto, as novas técnicas sozinhas não serão suficientes. É preciso mudar também a organização dos veículos de comunicação. Sendo assim, o dossiê parte de cinco grandes convicções: o jornalismo é essencial; o bom jornalismo sempre foi subsidiado; a internet acaba com o subsídio da publicidade; a reestruturação se faz, portanto, obrigatória; e há muitas oportunidades de fazer um bom trabalho de novas maneiras.

A primeira convicção mostra que o jornalismo é essencial porque mostra ao público injustiças sociais, cobra promessas políticas, informa os cidadãos e ajuda na formação da opinião pública. No entanto, nem todo jornalismo é essencial. O dossiê foca o trabalho apenas no hard news, que é o conjunto de notícias sérias e distingue o jornalismo de outras atividades comerciais. As notícias sérias são as que têm verdadeira importância, pois cobrem fatos que são capazes de mudar a sociedade. Na situação atual de crise, é possível afirmar que não é possível preservar os antigos formatos jornalísticos que foram praticados nos últimos 50 anos e que é preciso buscar então uma saída para evitar que a prática jornalística leve à pura defesa de interesses pessoais. Hoje, os jornalistas não podem apenas narrar os fatos. Esses profissionais precisam relatar os fatos que alguém não quer ver divulgados e não podem se limitar a tornar a informação pública. O novo jornalista deve contextualizar o que fala, de modo que possa repercutir no público. O papel do jornalista precisa mudar e se sobrepor ao papel do público, que hoje já consegue narrar os fatos publicamente.

Sobre a economia na atividade jornalística, o que se pode dizer é que a mesma polêmica dos primórdios se mantém: como sustentar a produção de notícias? O mercado do jornalismo sempre foi subsidiado, mas nunca houve a capacidade de absorção do volume de informação produzida. Quanto à publicidade, é demonstrado no dossiê que não há relação nenhuma entre ela e o jornalismo e destacadas as ligações entre os anunciantes e os meios comunicação como uma forma de relação comercial. De acordo com o texto, atualmente o maior problema enfrentado quanto ao jornalismo digital é o término do subsídio da publicidade e com isso a diminuição da qualidade e da produção das noticias.

O dossiê defende, ainda, uma reestruturação obrigatória do jornalismo, nos modelos e processos organizacionais. Há também a necessidade da queda nos custos e maior produção das notícias. O quinto tópico mostra que a receita para garantir essa existência acontece devido à queda das receitas dos veículos/empresas, mesmo com a crescente melhoria da economia. Os autores acreditam que mesmo neste processo de queda, os empreendimentos podem não suportar um novo período de recessão. A reestruturação será obrigatória para garantir a continuidade da prestação de serviços. Ambas as teses do dossiê são tidas como garantias de uma sobrevida do jornalismo tradicional, somado às novas tecnologias e técnicas de coberturas jornalísticas.

A última parte do dossiê “Jornalismo Pós-Industrial” traz um esclarecimento em relação aos conceitos de público e audiência. Inicialmente, a palavra público significava “o termo final, o termo sem o qual nada conta; por ele, jornalistas justificam seus atos, defendem o ofício, sustentam sua tese em termos do direito do público à informação, de seu papel como representantes do público, de sua capacidade de falar ao público e pelo público”, com o desenvolvimento da noção de esfera pública e a hipótese de que existem diferente públicos sobrepostos, a palavra para a ser designada como “o grupo de consumidores ou cidadãos que tem interesse em forças que exercem influência sobre sua vida e que busca alguém para monitorar tais forças e mantê-lo informado, para que possa agir com base nessa informação”. Por conseguinte, o conceito de audiência é apresentado como “a massa de indivíduos que recebia conteúdo produzido e distribuído por meios. Filmes, música, jornais, livros – tudo isso tinha audiências claras”.

O dossiê apresenta ainda uma ressalva em relação à utilização do The New York Times como referência durante todo o documento, apontando que o veículo não pode ser comparado aos demais meios de comunicação, por ter uma categoria “própria”. O documento foi redigido tendo em mente diversos públicos diferentes e foi dividido entre os subtemas Jornalistas, Instituições e Ecossistema, além da conclusão.

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Sobre impressaodigital126

produto laboratorial da Oficina de Jjornalismo Digital da Facom/UFBA

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