//
id.126
Jornalismo_Digital, Rotina

G1 Bahia: matérias locais na briga por cliques

Lara Bastos, Renata Freire, Susana Rebouças e Thalita Lima

A caça pela audiência ganha uma nova dimensão na redação do G1 Bahia. Repórteres e editores precisam estar sempre atrás de acontecimentos nacionalmente relevantes para conquistar mais visibilidade para o site, mas sem nunca perder de vista o interesse do público regional.

O uso de recursos multimídia é uma das ferramentas exploradas para garantir mais visitas. Sem editorias específicas e com a rotina semelhante a do jornalismo impresso, a equipe de 11 pessoas aposta na convergência dos conteúdos da TV Bahia para manter a atualização do site e a atenção dos internautas.

Redação do G1 Bahia. Fonte: Susana Rebouças

Redação do G1 Bahia. Fonte: Susana Rebouças

Na briga por cliques

A editora-chefe Rafaela Ribeiro fala sobre a relação do site com a central em São Paulo. Fonte: Susana Rebouças

A editora-chefe Rafaela Ribeiro fala sobre a relação do site com a central em São Paulo. Fonte: Susana Rebouças

Parte de uma rede nacional de informação, a equipe do G1 Bahia disputa espaço nas páginas principais da Globo.com e do G1.com com as outras 26 praças que alimentam os portais de notícias da Rede Globo. Garantir seu lugar ao sol é de extrema importância para manter a taxa de cliques dos sites sempre elevadas. “Uma matéria que sai na home do G1 ou da Globo pode ter três vezes, quatro vezes mais cliques”, garante a editora-chefe do G1 Bahia, Rafaela Ribeiro.

Apesar de atuar de modo independente na produção das matérias, a equipe baiana está sempre em contato com a central de São Paulo para sugerir ou receber pautas. “Nossa rotina diária não é pautada pelo nacional. Isso é decidido localmente. Mas a gente trabalha em conjunto sempre no sentido de dar vazão a notícias que podem ter repercussão nacional”, explica Rafaela.

Pontualmente, a central solicita que as filiais levantem dados para a produção matérias especiais. O mais habitual, porém, é que eles ofereçam as pautas que acreditem ter potencial para o nacional, o que eles chamam de “vender as pautas”.

Do meio eletrônico para o digital

A estrutura do site é pensada para dar suporte às reportagens dos telejornais da TV Bahia. Dividindo a sala com a equipe de reportagem da televisão, a troca de informações entre os dois veículos é constante. “Às vezes a gente vai apurar e apura para eles, às vezes eles vão apurar e apuram para gente”, explica o repórter Ruan Melo.

Segundo o editor multimídia Gabriel Gonçalves, a intenção da convergência entre os dois formatos não é servir de memória para os telejornais, mas prestar um serviço aos usuários e telespectadores. No vídeo abaixo, Gabriel explica a importância da convergência para o G1 Bahia.

A multimidialidade e a convergência são as características mais marcantes do G1 Bahia, mas outras especificidades do webjornalismo, como hipertextualidade, personalização de conteúdos e interatividade, também são bem trabalhadas. De acordo com Rafaela, a orientação dada à equipe é de sempre tentar atualizar os acontecimentos produzindo novas matérias que possam ser linkadas. 

Como forma de personalização, o leitor pode selecionar uma das cidades em destaque, como SalvadorPorto Seguro e Camaçari, e ser direcionado a uma página especial, só com notícias da região. Nas páginas das cidades, os internautas podem responder enquetes, mas a principal ferramenta de interatividade é a seção VC no G1, em que o usuário pode contribuir com fotos e vídeos.

19 horas por dia, sete dias por semana

A equipe conta com editores multimídia para editar os vídeos da TV Bahia. Fonte: Susana Rebouças

A equipe conta com editores multimídia para editar os vídeos da TV Bahia. Fonte: Susana Rebouças

A equipe de reportagem é composta ao todo por três repórteres, dois estagiários, dois editores home, três editores multimídia e um editor-geral. Não há divisão de editorias por tipo de conteúdo, com exceção de esportes, que fica a cargo da equipe do Globo Esporte Bahia. As duas equipes trabalham de maneira independente, mas ambas são geridas pela editora-chefe Rafaela Ribeiro.

Segundo Ruan, não há muitas diferenças entre o trabalho realizado por um repórter e um estagiário. Com carga horária próxima (seis horas diárias para estagiário e sete para repórter), a diferença principal é que o repórter costuma ir mais para a rua do que o estagiário. Ele garante ainda que a apuração na rua faz parte da rotina da equipe do G1 Bahia, por possuírem veículo à disposição. “Quase todo dia a gente está na rua”, afirma.

Apenas os editores possuem funções específicas, além da produção das matérias. Os editores home são responsáveis pela atualização dos destaques da página inicial do site. Já os editores multimídia capturam e editam todas as reportagens dos telejornais da TV Bahia, além dos vídeos feitos pela própria equipe, produzindo notas sobre eles e disponibilizando o conteúdo no site. “O papel do editor-chefe é mais administrativo. Propor as pautas, estipular horários, escalas, revisar, tapar buraco quando alguém falta. Mas eu também sou mão de obra, também faço matéria”, explica Rafaela.

A rotina de apuração começa cedo, com a primeira ronda sendo realizada às 5h, quando a estagiária Cássia Bandeira chega à redação. Neste momento, Cássia liga para os principais órgãos públicos de Salvador, como Central de Polícia e Transalvador, e para as emissoras afiliadas à Rede Bahia atrás das ocorrências que podem gerar notícia. Outras ferramentas de apuração importantes são os blogs e sites jornalísticos de cidades do interior do estado. Às 6h, quando Ruan chega à redação, os dois dividem as pautas e avançam na apuração. O último repórter deixa a redação à 0h.

Ao longo do dia, a equipe faz três reuniões de pauta, na “virada” de cada turno, para elencar os assuntos mais importantes. Nestes momentos, Rafaela elabora e compartilha com a equipe o espelho das pautas – um documento que contém as retrancas das principais notícias daquele turno. Mensalmente é realizada uma reunião de pauta com toda a equipe para definir os conteúdos especiais. “Fizemos uma depois do Carnaval. Aí a gente já pensou em Páscoa, Copa e Dia das Mães”, comenta Rafaela.

Off-line e on-line

O repórter Henrique Mendes comentou a experiência de trabalhar no jornalismo impresso e no on-line. Fonte: Susan Rebouças

O repórter Henrique Mendes comentou a experiência de trabalhar no jornalismo impresso e no on-line. Fonte: Susana Rebouças

O repórter do G1 Bahia, Henrique Mendes, que já passou por uma experiência em jornal impresso, apontou algumas diferenças sobre trabalhar nessas duas modalidades. “No on-line você é muito mais multifacetado. Você sai para fazer foto, vídeo e matéria. No impresso, isso é muito mais focado. O repórter sai só com a função de fazer o texto”, disse.

Outra diferença está na quantidade de notícias produzidas por dia. Segundo Henrique, no on-line é possível fazer, em média, sete matérias, sendo duas mais bem apuradas e as demais decorrentes de material enviado pelas assessorias.

Com relação à linguagem, o repórter acredita que a grande diferença está na factualidade. Enquanto o on-line fala sobre fatos que aconteceram “nesta manhã, nesta tarde ou nesta noite”, o impresso dá notícias que ocorreram “ontem” ou “na última noite”. “O impresso dá no dia seguinte o que o on-line deu no dia anterior”, afirma.

Anúncios

Sobre impressaodigital126

produto laboratorial da Oficina de Jjornalismo Digital da Facom/UFBA

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: